Observatório local · 5 de novembro de 2026
Freamunde: dois cemitérios, duas realidades bem distintas.
Entre o cuidado demonstrado no Cemitério n.º 2 e a preocupante situação do Cemitério n.º 1, há motivos para reconhecer o trabalho realizado, mas também para exigir uma intervenção urgente.
Entre o cuidado demonstrado no Cemitério n.º 2 e a preocupante situação do Cemitério n.º 1, há motivos para reconhecer o trabalho realizado, mas também para exigir uma intervenção urgente.
Os cemitérios são espaços de memória, respeito e dignidade. A sua conservação deve ser uma preocupação permanente, não apenas por ocasião do Dia de Todos os Santos, mas ao longo de todo o ano.
Em Freamunde, temos duas realidades bastante distintas que merecem ser abordadas com a mesma frontalidade.
Cemitério n.º 2 — Reconhecer o que está bem feito
Comecemos pelo que merece reconhecimento.
É justo felicitar a Junta de Freguesia de Freamunde pelas intervenções realizadas no Cemitério n.º 2 e pelo cuidado demonstrado na manutenção daquele espaço.
O asseio, a limpeza, o tratamento dos arbustos e a organização geral foram particularmente evidentes por ocasião do Dia de Todos os Santos.




Quando o trabalho é bem executado, deve ser reconhecido, independentemente de quem o realiza. E, neste caso, a Junta merece uma palavra de apreço.
Permito-me, contudo, uma observação pessoal: nunca fui apreciador das capelas funerárias que ali existem. Respeitando naturalmente as escolhas de cada família, considero que um cemitério deveria ser, acima de tudo, um espaço de igualdade, onde as diferenças económicas e sociais perdessem significado.
Perante a morte, não deveria haver ricos nem pobres. Apenas pessoas e memórias que merecem igual respeito.
Cemitério n.º 1 — Uma situação que exige respostas urgentes
Se no Cemitério n.º 2 há motivos para elogiar, no Cemitério n.º 1 a realidade é bem diferente.
O estado de conservação e os abatimentos existentes suscitam sérias preocupações quanto à estabilidade do terreno e à segurança das estruturas funerárias.






Não podemos aceitar que um espaço desta natureza permaneça numa situação de aparente degradação, com sinais que justificam uma avaliação urgente do risco de aluimento.
É fundamental que a Junta de Freguesia promova, junto das entidades competentes, uma avaliação técnica das condições de estabilidade do solo, identificando as causas dos abatimentos e a eventual existência de riscos para pessoas e estruturas.
Dessa avaliação deverão resultar medidas concretas, nomeadamente:
- Delimitação preventiva das zonas que apresentem riscos, caso se justifique;
- Intervenção nas infraestruturas sob responsabilidade da Junta, incluindo drenagem, caminhos, espaços comuns e estabilização do terreno;
- Articulação com os concessionários das sepulturas e jazigos para identificar as reparações necessárias e definir responsabilidades.
Importa esclarecer um aspeto: a Junta não está necessariamente obrigada a suportar todas as reparações das campas particulares. Mas a existência de concessões privadas também não a dispensa dos seus deveres de conservação, gestão e segurança do cemitério.
Não se trata de exigir obras indiscriminadas ou de atribuir responsabilidades sem fundamento técnico. Trata-se de garantir que o problema é devidamente avaliado e que são tomadas as medidas necessárias antes que a situação se agrave.
Reconhecer o mérito não impede a exigência
A Junta de Freguesia merece reconhecimento pelo trabalho realizado no Cemitério n.º 2. Mas esse reconhecimento não pode servir para relativizar o estado preocupante do Cemitério n.º 1.
O cuidado e a dignidade que encontramos num devem ser igualmente assegurados no outro.
Seria importante que a Junta esclarecesse se já existe alguma avaliação técnica, quais as intervenções previstas e que medidas estão a ser consideradas para garantir a segurança do Cemitério n.º 1.
Porque cuidar dos nossos cemitérios é também respeitar a memória de quem ali repousa e a tranquilidade das famílias que os visitam.
Freamunde merece os dois cemitérios tratados com a mesma atenção, responsabilidade e dignidade.
Por Freamunde. Com orgulho, independência e sentido crítico.
